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Caracterização do Território

As regiões Centro e Castela e Leão, geograficamente contíguas, beneficiam de uma localização estratégica nos espaços nacionais em que se inserem e no espaço ibérico.

A região Centro localiza-se entre as duas grandes áreas metropolitanas de Portugal e possui eixos transversais no território regional, que articulam o litoral e o interior e que estabelecem as principais ligações terrestres com a Espanha e o resto da Europa.
Castela e Leão, por seu turno, constitui uma ponte entre as Comunidades Autónomas do Centro e Sul e do Norte e Noroeste de Espanha, além de assumir relevância ao nível dos eixos diagonais de comunicações entre Portugal e a Europa.

Quando se analisa a distribuição da população empregada pelos principais sectores de actividade económica, ressalta o predomínio do Sector Serviços nas regiões Centro e Castela e Leão. O peso relativo deste sector é ligeiramente mais elevado na região espanhola (58% do emprego total, contra os 51% registados na região Centro).

As actividades classificadas no Sector Indústria (que engloba também as actividades relacionadas com a Energia e Construção) ocupam o segundo lugar na relevância em termos de emprego regional (com um peso relativo de 32%-33%).

As actividades relacionadas com o Sector Primário apresentam uma menor importância relativa no total do emprego nas regiões Centro e Castela e Leão. No entanto, assume ainda valores relativamente importantes em ambos os territórios (representa, respectivamente, 16% e 10% do emprego regional). De realçar que nestas regiões o emprego agrícola regista valores mais elevados que o registado a nível nacional.
Ao nível da estrutura de produção também se regista uma supremacia do Sector Serviços nas regiões Centro e Castela e Leão. Em ambas as regiões os Serviços contribuem com cerca de 58% do VAB regional. O sector agrícola é o que menos contribui para a produção de riqueza, apesar de o seu peso relativo ser superior ao peso médio do sector no total do país (em Castela e Leão o sector agrícola representa 7% do VAB total, valor significativamente superior ao peso relativo deste sector a nível nacional -4%).

As actividades industriais ocupam uma posição intermédia em termos de contributo para o VAB do Centro e Castela e Leão. Em ambas as regiões, e à semelhança do sector agrícola, a Indústria assume um peso relativo no VAB regional superior ao registado no VAB nacional.

Uma análise mais detalhada por sector de actividade económica permite verificar que na região Centro as Indústrias Transformadoras contribuem para cerca de 24% da produção regional de riqueza. Outros sectores com um contributo importante para o VAB desta região são o Comércio por Grosso e a Retalho, Reparação de Veículos Automóveis, Motociclos e de Bens de Uso Pessoal e Doméstico (14%), as Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas (9%), a Educação e a Administração, Defesa e Segurança Social Obrigatória (ambos os sectores também com cerca de 9% do VAB regional). No extremo oposto, os sectores que menos contribuem para o VAB da região Centro são a Pesca e as Indústrias Extractivas, com uma importância relativa em termos desta variável inferior a 0,5%.

Segundo dados da Contabilidad Regional do Instituto Nacional de Estadística, na região Castela e Leão os sectores mais representativos em termos de VAB são os Serviços não Mercantis (com um peso relativo de cerca de 16%), as Actividades Imobiliárias e Serviços Prestados às Empresas (12%), o Comércio e Reparação (10%), a Agricultura, Pecuária e Pesca (9%) e a Construção (9%). Os sectores menos importantes em termos de VAB regional são as Indústrias Têxtil, Confecção, Couro e Calçado (que representa apenas 0,6% do VAB de Castela e Leão), o sector Equipamento Eléctrico, Electrónico e Óptico (0,6%) e os sectores Indústria da Madeira e Maquinaria e Equipamento Mecânico (0,7%).

No que respeita à distribuição das empresas com sede na região por grandes sectores de actividade económica, predominam nas regiões Centro e Castela e Leão as empresas classificadas no Sector Serviços. A supremacia das empresas deste sector é mais elevada na região espanhola (72% do total de empresas, contra os 58% registados na região Centro).

Um aspecto que ressalta da comparação sectorial das empresas destas duas regiões é a mais elevada importância relativa das empresas com sede no Centro que desenvolvem a sua actividade no sector primário (11% do total de empresas da região, valor muito superior aos 4% registados em Castela e Leão).

As empresas industriais também assumem maior importância relativa na região Centro (31% do total de empresas com sede na região, contra os 24% observados em Castela e Leão).

A dimensão das empresas é igualmente uma variável que assume particular relevância na análise da estrutura produtiva de uma determinada região.

O tecido empresarial da região Centro é constituído sobretudo por pequenas e médias empresas (mais de 95% das empresas com sede na região têm menos de 100 trabalhadores ao serviço).

Da mesma forma, a região de Castela e Leão caracteriza-se pelo predomínio de pequenas e médias empresas - de um total de 151448 empresas que em 2003 se localizavam nesta Comunidade Autónoma, 150593 têm menos de 50 trabalhadores, o que corresponde a 99,4% do total de empresas.

As microempresas (entre 0 a 9 trabalhadores) representam 95,3% do tecido empresarial desta região espanhola.

As grandes empresas são pouco numerosas - apenas 42 empresas em 2003 (0,03% do total) tinham mais de 500 trabalhadores -, pelo que o dinamismo da economia de Castela e Leão depende em larga medida das pequenas e médias empresas. As empresas de pequena e média dimensão, e a modernização tecnológica a elas associada, têm permitido a expansão do Sector Serviços, além da consolidação dos sectores de forte especialização na região (indústria e construção).

A análise da localização das principais empresas de Castela e Leão evidencia uma forte concentração empresarial nas províncias de Valladolid, Burgos, León e Salamanca. No Centro são as NUT III Baixo Vouga, Pinhal Litoral e Baixo Mondego que concentram as principais empresas da região.

Região de industrialização dispersa, o Centro apresenta uma estrutura industrial diversificada.
As indústrias agro-alimentares revestem-se, contudo, de relativa importância para a economia do Centro, com destaque para os lacticínios e vinhos e para o conjunto de actividades oleaginosas/rações/pecuária sem terra.

De salientar a importância da indústria têxtil, do vestuário e do calçado, localizada sobretudo no interior da região (na Serra da Estrela e na Cova da Beira) e que enfrenta actualmente graves problemas relacionados com o encerramento de empresas.

A indústria da madeira e da pasta para papel também assume relevância na região, nomeadamente no Baixo Vouga e Baixo Mondego, dada a existência de unidades integradas de fabrico de pasta branqueada e de eucalipto e de papel de impressão e escrita (empresas como a Soporcel, a Portucel ou a CELBI).

A transformação de minerais não metálicos - designadamente a produção vidreira, a produção de cerâmicas e de louça sanitária, de revestimentos e pavimentos (cerâmicas de barro vermelho para a construção civil) – assumem especialmente especial destaque.
A região Centro apresenta também uma forte especialização na indústria de moldes para plástico, sobretudo no eixo Marinha Grande – Pombal - Leiria.

A construção de material de transporte tem vindo a assumir importância no Centro, bem como os fornecedores de componentes para a indústria automóvel (componentes mecânicos e peças estampadas em metal, cablagens, componentes plásticos ou revestimentos têxteis do interior dos veículos).

No Baixo Vouga destaca-se uma importante actividade de produção de equipamentos para uso doméstico, centrada em torno do maior fabricante europeu de esquentadores.

No domínio dos equipamentos electrónicos há muito que se instalou em Ovar a Philips Portuguesa, especializada no fabrico de componentes bobinados, comandos à distancia para electrónica de consumo, fontes de alimentação e sistemas de vigilância.

Também no Baixo Vouga existe ainda uma forte tradição no fabrico de produtos metálicos, nomeadamente no fabrico de mobiliário metálico para escritório (com a presença de empresas como a Cortai, do Grupo norte-americano Howshorth, a Guialmi - Empresa de Móveis Metálicos ou a Levira).

Ainda nesta região, em Estarreja, localiza-se a segunda mais importante plataforma de indústria química pesada do país (a seguir à de Sines), com actividade nas resinas e plásticos e na química mineral dos sódicos e clorados. Destaque para a empresa Dow Portugal, fabricante de plásticos para isolamento térmico na construção, e para a Companhia Industrial de Resinas Sintéticas, produtora de PVC.

A região Centro apresenta também uma forte especialização nas actividades relacionadas com a Saúde, ancoradas nas apreciáveis competências em serviços de saúde da Universidade de Coimbra.

A presença em Castela e Leão de um elevado número de importantes empresas de primeira e segunda transformação de produtos alimentares, pertencentes aos sectores das carnes (Campofrío Alimentación), dos lacticínios (Leche Pascual), do açúcar (Acor e Ebro Puleva) e do fabrico de bolachas (Siró e Galletas Gullón), a que se junta um tecido empresarial de pequenas e médias empresas, muitas vezes de cariz artesanal que produzem produtos tradicionais de grande prestígio e com Denominações de Origem (nomeadamente no sector vinícola), explica a relevância regional da indústria agro-alimentar.

É nas províncias de Soria, Segovia e Zamora que esta indústria apresenta maior importância económica, apesar de ser em Burgos e Valladolid que se registam os maiores índices de emprego (o que evidencia a tendência para as empresas do sector escolherem a sua localização em função da dimensão do mercado e não da proximidade das matérias-primas).

A montagem de veículos automóveis e fabrico de componentes também assume grande relevância em Castela e Leão, que se tornou mesmo uma das regiões europeias mais importantes do sector automóvel.

Localizam-se na região 4 unidades de montagem de veículos (OEM): a Renault (com duas fábricas na região, em Valladolid e Palencia), a Fiat-lveco-Pegaso (em Valladolid) e a Nissan (em Avila).

A fábrica da Renault em Valladolid é a mais competitiva de Espanha e a segunda do Grupo francês na Europa.

Como consequência da localização em Castela e Leão destas unidades de montagem de veículos automóveis, desenvolveu-se na região uma importante indústria de componentes para automóveis.

Após o estabelecimento da Michelin na região surgiram muitas outras empresas fabricantes de todo o tipo de componentes. Actualmente existem nesta região espanhola cerca de 150 empresas fornecedoras de um sector-chave para a economia regional que conta com mais de 45 mil empregos directos - refira-se a presença de importantes empresas multinacionais fabricantes de componentes como a Bridgestone/Firestone, a Johnson Controls, a Lear Corporation ou a Visteon.

Refira-se ainda a existência de um elevado número de empresas que desenvolvem a sua actividade no sector da exploração mineira (sector em crise, localizado sobretudo em León, e que conta com a presença de empresas como a Unión Minera dei Norte, a Hullera Vasco-Leonesa ou a Minero Siderúrgica de Ponferrada), da química ligeira (empresas como a Glaxo Wellcome, a Medicamenta ou Antibióticos) e da pasta e papel (destaque para o Grupo Smurfit España ou para a empresa Papeles y Cartones de Europa).

O sector da construção também se reveste de grande importância em Castilla y Léon, com a presença de empresas como a Volconsa, Construcción y Desarrollo de Servicios, a Construcciones Aragón Izquierdo, a Collosa (Grupo Bitrébol), ou a Begar.

O desenvolvimento da estrutura produtiva da região de Castela e Leão conduziu ao aparecimento de actividades classificadas no Sector Serviços, com forte destaque para os serviços não mercantis. Realce para empresas de telecomunicações como a Retecal, a Telefónica l&D ou a Vodafone.

O desenvolvimento das actividades logísticas em Castela e Leão e na Região Centro assumem igualmente um especial destaque, relacionado com a localização privilegiada das duas Regiões no território ibérico e com a importância regional das indústrias agro-alimentares, muito dependentes dos circuitos de transporte/distribuição e da existência/eficácia das plataformas logísticas, conforme é patente no Programa Operacional Cooperação Transfronteiriça Portugal-Espanha (Área de Cooperação Centro/Castela-Leão).
 
 
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